Uma entrevista falando um pouco sobre a crise que o setor sucroalcooleiro vem experimentando.
domingo, 13 de julho de 2014
Crise do setor sucroalcooleiro
Uma entrevista falando um pouco sobre a crise que o setor sucroalcooleiro vem experimentando.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Transparência e desempenho econômico de longo prazo
Gazeta do Povo - 25/06/2014
Olhando para o índice de confiança do empresário industrial da
Confederação Nacional da Indústria (CNI) de maio de 2014, percebe-se uma
queda do mesmo desde o início de 2012. Nos últimos dois meses, o índice
ficou abaixo de 50, o que indica uma falta de confiança do empresariado
industrial em relação às perspectivas futuras. Esse pessimismo é
generalizado, pois, em maio do ano corrente, ficou abaixo de 50 para as
empresas industriais de todos os portes e segmentos analisados.
É claro que a crise econômica internacional e a elevação dos custos
do setor têm afetado o seu desempenho, mas, como os piores efeitos da
crise parecem ter passado, por se tratar de expectativas (os empresários
estão olhando para o futuro) e pelo fato de a elevação dos custos estar
relacionada muito mais a fatores internos, a explicação para a sua
deterioração provavelmente está associada mais aos problemas da economia
brasileira. Dentre eles, podemos citar a piora nas contas públicas e na
geração de superávit, além da inflação que vem dando sinais de pequeno
descontrole. No entanto, o problema parece ser decorrente, sobretudo, da
falta de clareza sobre o futuro da economia brasileira.
A economia capitalista possui, de forma inerente, um potencial de
instabilidade que vem à tona de tempos em tempos na forma de recessões,
período em que os ajustes necessários são realizados e em que são
criadas as condições para a retomada do crescimento. Um dos papéis do
governo é justamente atuar de forma a criar regulações que reduzam a
instabilidade do sistema econômico, criando certas amarras que reduzam
as situações de desajuste.
Para a redução da instabilidade e, desse modo, da incerteza no
ambiente econômico, é fundamental a criação de regras claras e estáveis,
ou seja, que elas permaneçam independentemente do partido político no
poder e das vontades do presidente, governador, prefeito etc. É
desejável que exista também flexibilidade, pois o ambiente econômico se
altera e regras que eram boas em uma determinada época passam a ser
inadequadas. No entanto, se o conjunto de regras ou arcabouço
institucional é de qualidade, mudanças marginais ao longo do tempo são
suficientes e desejáveis, pois reduzem a incerteza e estimulam os
investimentos e crescimento econômico.
A política de maquiar a real situação do superávit primário, das
contas públicas e da inflação, as intervenções constantes do governo no
mercado, ajudando alguns segmentos e empresas e prejudicando outras, as
alterações das regras de acordo com a mudança de ventos e com visão
míope, além da falta de planejamento de longo prazo, só têm ajudado a
elevar a incerteza dos empresários, prejudicando as expectativas e
investimentos produtivos.
O mercado possui falhas; por isso, o papel do governo é fundamental e
melhora a eficiência econômica, quando as intervenções são bem feitas e
necessárias. No entanto, o mercado funciona muito bem em outros
aspectos e, nesses casos, o melhor que o governo tem a fazer é
estabelecer as regras e deixar os empresários, trabalhadores e outros
agentes econômicos jogarem o jogo do mercado.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Copa, falsos cadeirantes e Neymar
Estamos em um momento de festa no país com os jogos que estão ocorrendo. Por alguma razão, essa é uma das grandes paixões dos brasileiros, latinos e europeus e parece que vem se espalhando para outros países.
Nesse período, vemos várias imagens na internet, jornais, revistas e televisão associadas aos jogos da Copa. Hoje, navegando na internet, duas me chamaram a atenção. A primeira é:
A matéria mostra alguns indivíduos fazendo divulgação de ingressos para cadeirantes, e com pacote completo: cadeira de roda, atestado médico e passagens por apenas R$1.000,00!!! Na minha opinião, o sujeito precisa ser desonesto e "cara de pau" para anunciar isso para qualquer um... O pior é a justificativa para tal comportamento: se os políticos fazem... Por um lado, pela posição de liderança, representação e exposição na mídia, nossos políticos são e dão exemplos de comportamento e, na média, não são os melhores exemplos a serem seguidos. Por outro lado, qualquer cidadão que tenha um pouco de bom senso sabe que uma atitude errada por parte de alguém não o isenta de seus próprios atos equivocados.
A nação é construída por cada um e os políticos dão exemplos, mas também são reflexo de uma sociedade onde uma boa parte da população leva vantagem quando pode, mesmo que de forma indevida. Um bom exemplo é o caso do pênalti cavado por Fred, onde parte das pessoas ainda acha que ele agiu de forma correta.
A segunda é uma matéria no site da Uol que mostra que Neymar é quem mais vem treinando:
Ele é um garoto muito talentoso que já é uma estrela, considerado o melhor jogador em campo com a camisa brasileira e com salários astronômicos. Uma posição invejável considerando a pouca idade e que, de qualquer forma, posição que um número mínimo de pessoas no planeta irá alcançar mesmo em todo o período de vida, mesmo que vivam por 100 anos, seja em ganhos monetários, em fama e sucesso ou admiração. Nessa posição, poucos estariam se esforçando como ele, e os companheiros de equipe mostram que isso não acontece mesmo que ainda não alcançaram o nível de Neymar.
O que o nosso craque mostra é a importância da determinação e esforço para se alcançar boas posições na vida profissional e mesmo na pessoal. É claro que no caso de Neymar também há uma grande habilidade inata, mas talvez a mais importante seja a determinação que ele vem mostrando e que pode ser trabalhada por qualquer um.
Esse deveria ser o verdadeiro exemplo a ser seguido pelos jovens que estão assistindo aos jogos da Copa, pois fazendo isso, os ganhos serão muito grandes no longo prazo, seja para quem faz o esforço, seja para o país como um todo.
terça-feira, 10 de junho de 2014
Desemprego, PIB e taxa de participação
ESTUDO RELACIONA DESEMPREGO E PIB BAIXOS AO RECUO NA TAXA DE PARTICIPAÇÃO
Ribeirão Preto (SP), 9/6/2014 - Estudo da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia da Universidade de São Paulo (Fundace/USP) aponta que a taxa de desemprego no Brasil só chegou aos níveis mais baixos da história por conta da queda na taxa de participação - relação entre as pessoas que estão no mercado de trabalho sobre o total de pessoas em idade de trabalhar. O levantamento, obtido pelo Broadcast, aponta que, se taxa de participação permanecesse constante, haveria variações superiores a dois pontos porcentuais na taxa de desemprego no País. Isso explicaria, ainda, como a taxa de desemprego segue em queda mesmo com o baixo crescimento da economia brasileira.
O estudo cruzou dados das taxas de ocupação e de desemprego do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) com a taxa de participação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) entre 1995 e 2012. Os pesquisadores só não conseguiram comparar os dados de 2013 e 2014 por conta da mudança da metodologia da Pnad.
"Só poderemos comparar quando houver uma série maior da Pnad. Mas, como a criação de emprego perdeu força desde 2013, provavelmente os dados apontariam um cenário semelhante, com o desemprego maior que o medido", explicou Luciano Nakabashi, professor doutor da USP e coordenador da pesquisa pela Fundace.
Para fundamentar a tese, a pesquisa fez um recorte no tempo entre 2009, ano do início da crise internacional, quando o desemprego atingiu 8,41%, e 2012, quando a taxa foi 6,32%, ou seja, um recuo 2,09 pontos percentuais. Nos mesmos anos, a taxa de participação recuou de 62,07% para 59,83%. No entanto, se esse indicador permanecesse estável em 62,07% entre 2009 e 2012, a taxa de desemprego em 2012 seria de 8,56%, ou 2,24 pontos porcentuais superior à oficial.
"Considerando a taxa de participação e a taxa de desemprego de 2008, o ano pré-crise no Brasil, a taxa de desemprego teria passado de 7,24% para 8,46%, o que corresponde a uma elevação de 16,80%", informa o documento.
Os pesquisadores acreditam que o crescimento pequeno do País e a menor oferta de mão de obra levaram desempregados a simplesmente parar de procurar emprego. Esses trabalhadores deixaram de ser contabilizados na taxa de participação, o que puxou para baixo o indicador e, consequentemente, a taxa de desemprego. "Essa redução recente na taxa de desemprego é uma ilusão e não reflete o que acontece. Temos a intuição de que, pela piora do mercado, muita gente deixou de procurar trabalho", afirmou Nakabashi.
Estudos à parte, a taxa de desemprego segue em queda no País, assim como o Produto Interno Bruto (PIB). Em abril, a taxa de desemprego ficou em 4,9%, o menor nível para o mês desde o início da Pesquisa Mensal de Emprego, apurada desde 2002 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com a Pnad Contínua, também do IBGE, a taxa do primeiro trimestre de 2014 ficou em 7,1%.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Pleno Emprego?
Recentemente, alguns analistas econômicos têm argumentado que a
economia brasileira vem apresentando uma situação estranha de baixo
crescimento com pleno emprego. A conclusão é decorrente de uma redução
continua da taxa de desemprego desde 2003, com exceção do ano em que a
crise internacional afetou o país de forma mais acentuada: 2009. Peço
desculpa ao leitor, mas para explicar o que vem ocorrendo, mostrarei uma
série de dados que atrapalham um pouco a leitura.
Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad)
mostram que a taxa de desemprego caiu de 9,72%, em 2003, para 6,32%, em
2012, ou seja, consideráveis 3,4 pontos porcentuais, o que equivale a
uma queda de 35%. De 2009 até 2012, a taxa de desemprego passou de 8,41%
para 6,32% (os últimos dados da Pnad que são comparáveis com anos
anteriores são de 2012).
Essas observações, juntamente com um fraco desempenho da economia
brasileira, que cresceu a uma taxa média de 2,1% nos últimos três anos, e
que provavelmente crescerá ainda menos em 2014, geram a incógnita
mencionada acima.
Para explicar tal situação, alguns analistas argumentaram que as
empresas não estavam demitindo à espera de uma melhora na economia, pois
os custos de se demitir e contratar novamente, no período de
recuperação, seriam elevados. No entanto, essa hipótese não se sustenta
quando se analisa os dados do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, de
desligamentos e contratações de empregados. Eles mostram a existência de
um processo de elevação contínua no número de processos de
desligamentos: 15.192.529, em 2009; 17.067.900, em 2010; 18.996.577,00,
em 2011; 19.563.798, em 2012; e 20.211.364, em 2013.
Desse modo, os processos de desligamentos vêm sendo cada vez maiores,
indicando que as empresas não estão deixando de demitir, muito pelo
contrário. Pode-se argumentar que os trabalhadores vêm pedindo demissão
devido a novas oportunidades de trabalho; hipótese difícil de ser
sustentada quando se olha para o saldo líquido de criação de empregos
decrescente desde 2010 (também pelos dados do Caged) e para o fraco
desempenho da economia após 2010.
Então, o que explica a redução da taxa de desemprego mesmo com o
fraco desempenho da economia brasileira? Os dados da Pnad indicam que,
após 2008, a taxa de desemprego só caiu por causa da redução na taxa de
participação, ou seja, da relação entre as pessoas que estão no mercado
de trabalho (empregados ou procurando emprego), também chamada de
população economicamente ativa, sobre o total de pessoas em idade de
trabalhar ou população em idade ativa.
Podemos fazer um exercício considerando a taxa de participação
constante desde 2008, o ano pré-crise no Brasil, ou seja, considerar que
a mesma proporção de pessoas se manteve no mercado de trabalho. Nesse
caso, a taxa de desemprego teria passado de 7,24%, em 2008, para 8,46%,
em 2012, o que corresponde a uma elevação de 16,80%. Isso não ocorreu
porque os desempregados estão desistindo de procurar emprego.
A economia está fraca e a criação de empregos também. Com os
desempregados desistindo de procurar emprego fica difícil sustentar a
hipótese de que a economia brasileira se encontra em pleno emprego.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
A beleza da democracia
(Gazeta do Povo - 16/05/2014)
O sistema democrático é a melhor forma de participação da população no processo político de um país. Através do voto, cada cidadão pode se fazer representar em uma sociedade que possui diferentes demandas e necessidades.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu se eleger e reeleger pelo papel determinante que teve no controle inflacionário através do Plano Real, sendo que essa era uma das maiores demandas sociais do período. O ex-presidente avançou em várias outras áreas, como no saneamento financeiro de dívidas passadas, a institucionalização da responsabilidade fiscal de estados e municípios, a manutenção do processo de abertura da economia, além de avanços consideráveis na área previdenciária e do orçamento público. Também lançou programas sociais que serviram de base para o atual programa Bolsa Família e adotou medidas importantes na universalização do ensino público.
No entanto, o fraco desempenho econômico, a fragilidade externa do país pelos excessos cambiais e a crise energética, no final do segundo mandato, foram elementos essenciais no desgaste da imagem do ex-presidente e pelo desejo de mudança que ficou evidenciado nas urnas, em outubro de 2002. A eleição do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva representou esse desejo de mudança da população.
Com o benefício das reformas realizadas no governo anterior, do excelente cenário externo, da manutenção de pilares macroeconômicos essenciais como o sistema de metas de inflação e do superávit primário e também de reformas acertadas no primeiro mandato, como a continuidade do processo de reformas no sistema previdenciário, a reforma do Judiciário e as mudanças na lei do inquilinato, a era Lula experimentou um período de crescimento que não se presenciava desde os anos de 1970. Adicionalmente, o crescimento com o aprofundamento de políticas sociais acertadas, como o Bolsa Família, por exemplo, fez com que os anos 2000 fossem repletos de mudanças sociais positivas que justificaram a reeleição com folga do ex-presidente, a despeito do escândalo do mensalão às vésperas da eleição presidencial.
Entretanto, a falta de reformas necessárias para a manutenção do processo de crescimento e desenvolvimento a partir do segundo mandado do governo Lula e do governo de Dilma, da mudança do cenário internacional, da elevação da percepção da corrupção, do baixo crescimento econômico e piora significativa nas perspectivas futuras da economia, a população começou a demonstrar as insatisfações com o governo petista na esfera federal, como se pode verificar pelas manifestações que ocorreram no ano passado e pela queda na intenção de voto na presidente Dilma. Novamente, a população começa a expressar a vontade de mudança e me parece que uma mudança do candidato da situação não irá resolver, aos olhos do eleitor, os erros que foram cometidos e a vontade de mudança que uma parcela cada vez mais significativa da população vem apresentando. Muita água ainda irá rolar até a eleição presidencial, e o presidente eleito representará a vontade da população brasileira por mudança ou manutenção das políticas que vêm sendo adotadas. Essa é a beleza da democracia!
quarta-feira, 9 de abril de 2014
O novo ciclo de alta da Selic
A taxa Selic serve de referência para o pagamento de juros dos
títulos do governo federal e também como balizamento para as demais
taxas de juros da economia brasileira, alterando decisões de consumo e
de investimentos. Desse modo, ela é fundamental na determinação do nível
de atividade econômica e também das contas públicas, pelo menos no
curto e médio prazos.
O governo Dilma experimentou uma política econômica de redução de
juros, atingindo o patamar de 7,25% ao ano, entre outubro de 2012 e
abril de 2013, sendo o menor nível desde o início do Plano Real. Diante
da deterioração do cenário externo à época do início do ciclo de redução
da taxa de juros (setembro de 2011), a política se mostrou acertada,
ainda mais considerando o fato de que não existe um consenso que
justifique um patamar tão elevado para os juros da economia brasileira
relativamente aos demais países e pelos seus efeitos positivos sobre as
contas públicas. Aquele seria o momento ideal para testar se a economia
brasileira consegue conviver com taxas de juros mais baixas do que os
seus níveis históricos.
No entanto, o ciclo de redução dos juros deveria ter ocorrido
concomitantemente a outras medidas de política econômica para que ela
pudesse ser sustentável. Em uma economia com baixo desemprego, o que
limita a elevação da produção, estímulos adicionais como desonerações de
segmentos específicos, além da redução dos juros, estimularam a demanda
de forma a elevar as importações, deteriorando as contas externas do
país, além de pressionar a inflação, o que explica o novo ciclo de
elevação dos juros que estamos presenciando atualmente. Portanto, no
conjunto e considerando a conjuntura do mercado de trabalho, as medidas
de política econômica adotadas foram equivocadas.
Os resultados de tais medidas de política geraram um cenário em que,
além do baixo crescimento, a economia vem presenciando pioras nas contas
externas, ou seja, maior dependência de poupança externa, e nas contas
internas, o que gera maior instabilidade macroeconômica e prejudica
investimentos, além de aceleração da inflação, que pressiona novamente
os juros para cima. Em suma, o que se percebe como decorrente de tais
medidas de política econômica é uma piora nos fundamentos da economia e,
assim, maior fragilidade a choques externos e menor capacidade de
crescimento econômico.
Se a preocupação da equipe econômica do governo federal era estimular
o crescimento quando optou pelas medidas de política fiscal
expansionista, ela deveria ter considerado que a economia já estava
próxima do pleno emprego e que o baixo crescimento tem ocorrido,
sobretudo, pela estagnação da produtividade econômica. Para retomar o
crescimento seria preciso analisar, de forma cuidadosa, as causas dessa
estagnação e adotar medidas que estimulassem a oferta em vez da demanda.
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